da insegurança, ou simples paragem cerebral.
Março 14, 2007
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Certo dia resolvo acompanhar minha mãe até à farmácia. Era apenas uma desculpa para experimentar a sociabilidade do cachorro, levando-o pela vila, onde inevitavelmente me depararia com várias pessoas e, alas, animais. A coisa correu muito bem. Sempre trela curta, nesta minha nova etapa de educadora de cães, tarefa árdua e amorosa a aplicar por necessidade, eu que fui uma spoiler a vida toda. A vida toda, até me deparar com um animal que de submisso ou obediente não tem nada. Mas que graça tem então ter um animal que nos obedece?, escuto sobretudo de amantes felinos. Ah, meus amigos, assim à partida estaria de acordo convosco, também amo felinos, sua independência e teimosia, altivez. A graça surge quando esse animal tem eventualmente mais força que nós, é dominador e está-se a borrifar para os nossos pedidos. Aí tornamo-nos fervorosos adeptos da filosofia de matilha. O meu segundo nome a partir de hoje será alfa, prazer em conhecer-vos.
Tornando ao passeio (felizmente pouco higiénico, não tive de andar a recolher presentes). Enquanto a mãe aguarda a sua vez na fila, permaneço cá fora, num ponto estratégico, ensinando-o o ficar junto de mim, sentado, tentando acalmá-lo relativamente à movimentação da estrada e transeuntes. Corre tudo muito bem, ele porta-se excelentemente e eu babo-me de orgulho, não sei bem se dele ou de mim.
Várias pessoas param junto a nós, a maior parte elogiando a beleza do cão, fazendo festas, outras estancando pensando se devem passar junto, perguntando se morde, etc. Não. Mas baba, eventualmente.
Aproxima-se então um senhor velhote, que se desloca com uma bengala. Vem com um sorriso doce, que eu retribuo.
Olha para mim durante um bocado e depois pergunta se é bócio.
Não devo ter percebido bem.
Como?
É bócio, não é? Ah pois é, de certeza…
Fico verdadeiramente à rasca. Caramba, Deus do céu, estou muito pior do que julgava! Devo estar tão gorda que tenho duplo pescoço. Engulo em seco e respondo timidamente que não, não é bócio, mas até me preparava já para lançar à laia de desculpa que, apesar de não ser bócio, tive de facto alguns problemitas hormonais.
Ah, mas que estranho, era capaz de jurar que é bócio. O meu filho tinha um igualzinho!
E partiu, apoiado na sua bengala, depois de nos saudar.
A constatação demorou algum tempo a chegar à minha massa cinzenta. Boxer. Bócio.
Ainda assim cheguei a casa e fui até ao espelho para verficar o queixo. Dupla só a minha estupidez mesmo.
Hahaha…adorei!
Eu nunca tive cachorro. Mas ajudava os veterinários da universidade levando os cachorros que eram abandonados por lá em clínicas, dava remédios, etc. Sempre fui ligada nos bichos, mas confesso, sou mais felina. Uma vez quis fazer um teste. Comprei uma coleira e coloquei na minha gata. Queria levá-la comigo na padaria, passear com a bichana. Ela odiou, claro, que humilhação para ela eu confundir a sua condição superior de felina com os caninos. Ela estancada. Não andava. Mesmo assim, tentei arrastar a Carol. Tadinha. Uma meninha olha a cena e diz: nunca vi gato com coleira. Eu falei que eu também não, tudo isso sob o olhar furioso de Carol que me fulminava. Tadinha, tirei rapidinho, ela se lambeu e voltou na profundidade do seu ser…Bah…esses humanos e suas “paragens cerebrais”….
Um beijo, Kanu!
ahahahah. Pensava que só eu não entendia direito o que falavam os portugueses!
Uma vez estava na beira do Rio São Francisco, no nordeste. Conversava com amigos (todos da minha cidade do sul). Então uma senhora perguntou: “Vocês são estrangeiros? Que língua estão falando?.”
Mais trenga seria impossível, amigas!
p.s. também se usa “trenga” e “trenguice” no Brasil?
Cruzes! O que é trenga?
É “tola”, “maluca”. Basicamente, “idiota”