comida de alma
fevereiro 16, 2007
Comida de alma é aquela que consola, que escorre garganta abaixo quase sem precisar ser mastigada, na hora da dor, de depressão, de tristeza pequena. Não é, com certeza, um leitão pururuca, nem um menu nouvelle seguido à risca. Dá segurança, enche o estômago, conforta a alma, lembra a infância e o costume. É a canja de mãe judia, panacéia sagrada a resolver os problemas de náusea existencial. O macarrão cabelo-de-anjo cozido mole e passado na manteiga. O caldo de galinha gelatinoso, tomado às colheradas. São as sopas. O leite quente com canela, o arroz-doce, os ovos nevados, a banana cozida na casca, as gelatinas, o pudim de leite.
In Horta, Nina – Não é sopa – crônicas e receitas de comida, São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
Releio sempre este maravilhoso livro de Nina Horta. O primeiro texto é esse da comida de alma. Então fiquei pensando….
Qual seria a comida da alma que nos consola quando nos sentimos mais estrangeiros do que nunca?
Lembro-me que quando morava no exterior sentia falta de sucos feitos na hora, com fruta fresca. Ou vontade de comer feijão e arroz. Mas eram vontades, necessidades do meu corpo acostumado à comida do dia-a-dia brasileiro.
Para consolar a alma só um quindim mesmo.
E vocês?
